Saindo do casulo
Estava a descansar de sua última tentativa frustrada de sair daquele lugar. Recuperava-se da dor e por mais que doesse a única coisa em que conseguir pensar era em como gostava da época de lagarta. Quando tudo que se fazia era comer e aproveitar o que há de bom na natureza. Na maior incoência, em medo de ser um bichinho gordo e feliz, a devorar folhas por aí.
Mesmo que, depois de um tempo, como toda aquela vida boa, ao crescer, começasse a perceber as folhas podres que encontrava pelo caminho. Aranhas más, escorpiões venenosos, passarinhos que pensam no próprio bico. A dificuldade de encontrar uma folha ao sol. A dúvida de que folha escolher. Foi então ficando sem fome. Seu corpo pedia que se recolhesse, num lugar seguro, que a protegesse do mundo lá fora: um casulo.
Por muito tempo aquele pequeno espaço aconchegante e acolhedor foi seu lar. Apesar de não ter muitas escolhas e opções, ali sentia-se segura. Longe da selva que presenciara lá fora.
Todavia, sem se dar conta, ela continuou crescendo. Logo auqele minúsculo casulo tornara-se pequeno demais para ela. Tudo ficou muito apertado. Precisava encolher-se aqui e ali. Tornou-se sofucante.
Percebe então que seu refúgio de outrora transformou-se em prisão. Inicia uma série de tentaivas frustradas de sair de seu claustro. Debate-se com força e convicção para um lado, e nada. Retoma o fôlego, tenta do outro lado, e nada novamente.
Ali se encontrava, em sua cansativa missão de libertação. Sem conseguir descobrir o melhor jeito de ter sucesso em sua empreitada. O dilema era agoniante: o casulo já não a suportava mais, no entanto não conseguia encontrar uma maneira de sair com segurança.
Pensou em desistir.
“Posso me acostumar, não é tão ruim assim, passei minha vida toda neste casulo…”
Foi então que, pela parede translúcida do casulo, avistou algo que lhe pareceu a coisa mais bela e invejável que já havia presenciado. As cores cintilavam com a luz do sol. A leveza fazia flutuar como folhas secas pelo ar. Seu corpinho minúsculo e sensível era protegido pela agilidade de suas asas que a esquivavam de seus predadores e a levavam onde quisesse ir.
Maravilhada com a visão, a lagarta almejou a possibilidade de ser como ela. E mesmo que seu corpo estivesse dolorido e cansado de tentar se libertar, queria mais uma chance para voar. Encheu-se de força para continuar tentando sair de seu casulo e transforma-se em uma bela e livre borboleta.
